Mubarack, não tenha medo do bê-á-bá! Recebi esta orientação do presidente de uma empresa-cliente quando perguntei sobre o conteúdo desejado por ele para um treinamento para a diretoria. A empresa já tem um bom sistema de gestão implantado há pelo menos um ano e o comum seria o presidente pedir novidades. Como se trata de um executivo brilhante, pediu a repetição do bê-a-bá.

A orientação dada por ele foi excepcional porque ele sabe que profissionais, mesmo diretores, podem ter dúvidas básicas sobre partes do sistema de gestão. As dúvidas básicas atrapalham o desenvolvimento de melhorias e muitas vezes impedem o cumprimento de metas corriqueiras de custo e de receita. Já conheci alguns executivos sem a noção de que não sabem. Gestores despreparados estão sempre à busca de mais tecnologia. Não sabem os fundamentos, mas querem sistemas complexos, ou por infantilidade gerencial ou para tornar complexo o que não é, tentando esconder sua incompetência administrativa e técnica atrás de frases como: “…não vendo porque não tenho este ou aquele relatório ou software, não sou mais produtivo porque faltam tais e tais ferramentas etc.”.

Tecnologia é sempre desejável, mas não pode ser a única justificativa para maus resultados. Alguns profissionais não entendem que foram contratados para obter resultados mesmo sem todas as ferramentas necessárias. Com toda a infra-estrutura possível, qualquer um pode fazer. O gestor é contratado justamente para atingir metas com poucos recursos. Não sabem nem atravessar uma rua quase vazia e querem um foguete para ir a Lua! Não conseguem relacionamento básico com clientes e querem pesquisas caras, não sabem fazer um mísero plano de ação com 5 W – 2 H e querem o B.I. (business intelligence – software para consultas não estruturadas a bancos de dados), não conseguem fazer com que os operadores preencham uma planilha de controle de produção e querem softwares otimizadores com programação linear, não lêem um livro em português e montam apresentações com ridículas e desnecessárias siglas em inglês, não participam de treinamentos internos em suas empresas mas querem um curso em Harvard, não conversam cara-a-cara com seus comandados mas querem softwares de workflow!

Seria cômico não fosse trágico. Fazer o simples e praticar o bê-a-bá da gestão já estaria de bom tamanho para muitos engomadinhos e patricinhas, vampiros que, à luz do dia, sugam o sangue de suas empresas.

Sempre estou em busca deles, para sugerir sua eliminação das organizações para as quais trabalho.

Paulo Ricardo Mubarack (consultor de gestão, qualidade, administração de pessoas, rh, iso9001 e autor do livro empresas nuas)

mubarack@terra.com.br


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