Operação da PF desmonta organização criminosa que fraudava a Receita Federal

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Uma organização criminosa que contrabandeava mercadorias e remetia dinheiro ilegalmente para o exterior foi desmontada hoje (28) pela Polícia Federal. A Operação Pomar, assim chamada por causa do grande número de pessoas que eram usadas como “laranjas”, prendeu 15 acusados, entre eles, empresários e despachantes aduaneiros. A Receita Federal estima que cerca de R$ 1 bilhão em impostos tenham deixado de ser recolhidos por ano pelo esquema criminoso.

Segundo José Edilson de Souza Freitas, delegado da Polícia Federal e coordenador da operação, dois suspeitos ainda estão foragidos. O delegado também disse que 73 pessoas foram indiciadas, uma delas é auditor da Receita Federal, que facilitava a entrada de mercadorias ilegais no país.

“O resultado final era o não recolhimento dos impostos. A mercadoria adentrava o território nacional, não recolhia os impostos, fazia-se uma nota de venda para as empresas que seriam os reais consumidores. E essas empresas se beneficiavam do valor fiscal. A diferença de valor entre o produto pago, que efetivamente era declarado, ou entre o pago e o que não era recolhido em tributo, era mandado para o exterior”, explicou.

As mercadorias contrabandeadas eram basicamente tecidos, roupas e complementos (como zíperes). “A maior parte da mercadoria vinha da China e desembarcava no Brasil por meio dos portos do Espírito Santo, Rio de Janeiro, de São Paulo e Santa Catarina”, disse o delegado.

Depois que entravam no país, os produtos eram levados para depósitos, onde eram manufaturados ou revendidos e, segundo Freitas, “iam parar no mercado varejista, nas conhecidas regiões de vendas de tecido, principalmente em São Paulo, em regiões como Brás, Pari e 25 de Março”.

Em apenas um galpão, foram encontradas mercadorias ilegais que lotariam 100 carretas. Além disso, de acordo com o delegado, foram apreendidas, somente hoje, 57 carretas com cerca de 30 toneladas de produtos cada uma, R$ 700 mil em dinheiro, R$ 2 milhões em cheques, armamentos e veículos. Alguns imóveis, barcos, carros e motos pertencentes aos acusados foram sequestrados “como maneira de ressarcir o Poder Público”.

"A organização usava muitas pessoas físicas e jurídicas, os 'laranjas', para ocultar o real beneficiário da operação”, disse Marcos Fernando Prado de Siqueira, superintendente adjunto da Receita Federal em São Paulo. Segundo ele, com a deflagração da Operação Pomar, a Receita Federal conseguiu identificar o real beneficiário dessa importação. “Mais de 40 pessoas jurídicas e cerca de 100 pessoas físicas foram usadas nesse esquema como 'laranjas'”, disse.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *