Segurança e economia de papel são os principais argumentos do governo para ‘vender a ideia’ da NF-e

Carla Caldi, gerente administrativa: NF-e trará benefícios para sociedade porque fará com que as empresas trabalhem corretamente
”Foi mais fácil que eu pensava”. Assim a gerente administrativa da Flora Cosmética, Carla Caldi, definiu o processo de adaptação da empresa à nota fiscal eletrônica (NF-e). A fabricação de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal foi uma das 53 atividades econômicas obrigadas pelo governo a aderir à nova nota fiscal em 1º de setembro deste ano.

Outras dezenas de atividades já tiveram de cumprir a determinação do Fisco em abril e dezembro do ano passado e em abril deste ano. Ainda estão previstos dois novos lotes em 2010, quando a Receita Estadual espera que todas as notas fiscais tipo 1 e 1A passem à versão eletrônica. ”O objetivo da nota eletrônica é substituir o modelo 1 e 1A para operações entre empresas. O único varejista incluído é o vendedor de automóveis novos”, explica o auditor fiscal Edson de Freitas, da Receita Estadual.

A novidade não representou grandes investimentos na Flora Cosmética. ”Como somos uma empresa pequena, conseguimos implantar o sistema pelo software gratuito do governo de São Paulo (http://www.fazenda.sp.gov.br/nfe/download.shtm). Lá tem todo o passo a passo de como instalar”, ensina Carla Caldi. O programa paulista tem autorização para uso pelo governo do Paraná. O único custo foi para a aquisição do certificado e da assinatura eletrônica: R$ 165 válidos por um ano. É que, antes de transmitir cada nota à Receita, as empresas precisam fazer a assinatura digital.

Estabelecimentos de maior porte, no entanto, têm de investir mais. A compra de um software específico ou a adaptação do já existente gira em torno de R$ 2 mil a R$ 3 mil, fora a manutenção de meio salário mínimo por mês, segundo Daniel Amorin, proprietário da Enfopower Sistemas. Tudo depende do porte da empresa e do número de clientes. ”Presto serviço para quem emite quatro notas por mês e para quem emite 2 mil notas por dia”, justifica. Amorin conta que uma queixa comum dos seus clientes é quanto à necessidade de refazer cadastros de clientes. ”Se houver um dígito errado no CNPJ, por exemplo, o sistema não aceita. 60% dos cadastros estão incorretos”, arrisca.

Segurança e economia de papel são os principais argumentos do governo para vender a ideia da NF-e. Em vídeo institucional que pode ser baixado no site da Receita paulista, um dirigente da Volkswagen parabeniza a iniciativa e diz que a montadora passou a economizar R$ 0,80 por nota fiscal ou R$ 146 mil por ano. Pela NF-e eletrônica, o empresário também terá de manter arquivo eletrônico em seu sistema durante cinco anos, como no sistema comum. ”Para a nossa empresa, não melhorou nem piorou porque fazemos tudo dentro da lei. Mas para a sociedade vai ser bom porque fará com que as empresas trabalhem corretamente”, avalia Carla Caldi.

Na Nortis Farmacêutica, os funcionários já estão bem adaptados à nota fiscal eletrônica implantada há um ano. ”Tivemos de adaptar nosso programa porque já emitíamos nota pelo computador. A diferença é que antes imprimíamos em cinco vias: uma ficava no escritório e as outras quatro eram enviadas para o cliente. Agora a gente transmite a nota pela internet para a Receita e para o cliente em formato XML e só imprime o Danfe”, explica o encarregado administrativo Anderson Santos de Oliveira, se referindo ao Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica.

O Danfe é impresso em uma única via, em papel comum, e é necessário principalmente para o transporte da mercadoria. Oliveira diz que o único inconveniente da nota eletrônica é quando o sistema fica indisponível. ”Este mês teve bastante problema. O provedor (da Receita Estadual) ficou algumas vezes fora do ar”, contou. Mas o auditor Edson de Freitas nega o problema. ”O sistema está funcionando 99% das vezes. Quando acontece algum problema, acionamos o ambiente nacional.”

Segundo Freitas, geralmente, a falha é com o provedor da empresa. Ele explica que, em último caso, quando não houver a possibilidade de fazer o processo pela internet, a empresa pode lançar mão da impressão da nota fiscal em papel moeda. ”Neste caso, a nota é impressa em duas vias, mas a empresa tem dias dias para transmiti-la de novo pela internet”, detalhou.

O auditor alega que a Receita Estadual tem feito um trabalho de esclarecimento das empresas sobre a NF-e. ”Estamos fazendo palestras nas entidades de classes que nos convidam.” Mas quem tiver dúvidas pode procurar a Receita pessoalmente na Rua Pará, 473, que segundo Freitas, será atendido na hora. O horário de funcionamento é das 8h30 às 12 horas e das 13h30 às 18 horas.


Nelson Bortolin – Folha de Londrina – PR


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