Conhecimento, prática e autoconfiança formam o tripé perfeito

*Armando Marsarioli Filho

O mercado de trabalho tem apresentado argumentos suficientes sobre o valor da Educação na formação do profissional de toda e qualquer área, porém, os fatos revelam que ser frequentador assíduo de um curso profissionalizante não determina, em absoluto, um bom emprego. E nada a declarar a respeito de sucesso profissional. Especificamente sobre a manutenção industrial, temos observado um número crescente de formandos desempregados e, paradoxalmente, empresas carentes de profissionais.

Do topo do curso concluído, estudantes de outrora encaram o mercado de trabalho que, impiedosamente, exige experiência do recém-formado. Com a carreira prometida desaparecendo frente à dura realidade dos fatos, resta buscar entendimento de como um segmento de mercado capaz de contratações imediatas carece justamente dos que buscam por ele.

A resposta está vinculada não somente ao conteúdo programático de uma instituição como também ao vigor intelectual de quem aceita a proposta de aprendizado motivado pela informação e conhecimento – ou meramente pelo certificado.

Fossem poucos desafios, ainda existe a prática que tange a maestria demonstrada – ou não – na competência do indivíduo. E, infelizmente, embora a tecnologia seja lógica, as reações ao ambiente de trabalho tão frequentemente são puramente emocionais, transformando supostas oportunidades promissoras em situações caóticas por falta de clareza mental, quando abandonamos nosso racional para comunicar nossos pontos de vista de forma emotiva.

Treinamentos e capacitações chamam a atenção em todo veículo de mídia e ensinam desde, por exemplo, a teoria da manutenção proativa de um equipamento até sua história, partindo da época de sua invenção. Tudo minuciosamente distribuído em currículos extensos e detalhados que, mesmo bem intencionados, deixam ao léu seus participantes no momento da conclusão do programa. E não somente estes. Também ficam à deriva  as empresas que com os problemas sem precedentes exigem currículos não condizentes ao que é conteúdo programático das instituições de ensino na formação do candidato à vaga. Corre à boca pequena a frustração de quem procura solução de ambos os lados – sejam negócios ou pretendentes à vaga.

A competitividade no âmbito empresarial é acirrada e não dá espaço nem tempo para divagações teóricas. O cliente interno quer eficácia, otimização, prevenção, planejamento, análise, desenvolvimento – e exige soluções sob a pressão da perda financeira calculada sobre a indisponibilidade da máquina. E, no organograma das companhias, nem sempre gerentes são líderes e subordinados são colaboradores. Em momentos de tensão a comunicação falha e o que deve ser dito é expressado de forma a tirar a atenção do falado, enfatizando que o tom também é parte da mensagem. A demanda exigida para uma atitude reta e centrada está à prova a cada interação.

Portanto, como não citar a importância das matérias que são anuladas do currículo de exatas, mas que poderiam ser fatores de sucesso no desenvolvimento de carreira? Independente da área escolhida, a liderança eficaz, o empreendedorismo, a administração de conflitos, relações humanas, inteligência emocional, coeficiente intelectual, negociação, marketing político e redação respaldam o potencial empregatício de todo sujeito e, em contrapartida, oferecem ao empregador uma melhor perspectiva de resultados na equipe.

Embora todo o assunto possa ser tópico do estudado, não é meramente o ensino que faz a diferença, mas o ajuste perfeito entre o aprendido, a experiência e a proeza de tomar ação. Sim, os desafios são superados à medida que existem, sem limitar-se a estes predicados, o conhecimento, a prática, mas também a autoconfiança, a iniciativa e tanto mais de primazia, além da convencional grade de horários de uma faculdade.

 

*Armando Marsarioli Filho é Diretor Geral do Instituto Nacional da Manutenção (INAMAN)

 

 

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