A CULTURA DO “NÃO FUNCIONA”

   Aceitar coisas que não funcionam é lamentável. Frequentemente vejo nas empresas equipamentos, softwares e padrões que NÃO FUNCIONAM. Especialmente nas auditorias e durante as consultorias que faço, encontro equipamentos novos que não estão trabalhando com a produtividade prometida pelo fornecedor ou que simplesmente não foram colocados em operação, softwares mal implantados onde boa parte dos recursos oferecidos não é usada por desconhecimento ou por outros motivos e padrões que  não são seguidos.

   Os profissionais responsáveis pela implantação e pelo uso destes recursos na rotina alegam várias razões para que nada funcione: “a máquina foi mal dimensionada, não havia infraestrutura para a instalação do equipamento, quem comprou não sabia o que estava comprando, quem comprou nunca testou, quem comprou nunca visitou outra empresa onde  A COISA deveria estar funcionando, o fornecedor mentiu e enrolou a empresa, quem construiu o software não conhecia a prática, o usuário não foi consultado, falta treinamento, o padrão não reflete a realidade, falta disciplina para cumprir o padrão, nosso funcionário não tem o perfil adequado para o procedimento que executa…”, e por aí vão as justificativas.

   Duas certezas em meio a este mar de inseguranças: quando recursos são colocados à disposição dos profissionais de uma empresa e não são utilizados, isto significa um GROSSEIRO DESPERDÍCIO e PROFISSIONAIS DE VERDADE NÃO PODEM ACEITAR “coisas que não funcionam”.

   Costumo fazer perguntas como:

1.      Você já testou?

2.      Como você foi treinado?

3.      Como você treinou sua equipe?

4.      Você avaliou a qualificação e a idoneidade do fornecedor?

5.      Você visitou outras empresas para ver  “a coisa”  funcionando?

6.      Se “a coisa” não funciona, por que você não toma uma atitude?

7.      Você planejou adequadamente?

8.      Você tinha a exata noção de todos os recursos necessários para que “a coisa” funcionasse?      

9.     Você sabe o prejuízo que sua empresa está tendo com o não funcionamento “da coisa”?

 

    Obviamente, erros são compreensíveis. Porém, desleixo no momento de planejar e aceitação do que não funciona é intolerável. Revela gestores que desrespeitam o patrimônio da empresa que os acolhe.

 

   Sugestão: faça uma auditoria e liste tudo o que não funciona em sua empresa. Tente recuperar o prejuízo. O que realmente não vai funcionar, elimine. Não deixe coisas que não funcionam misturadas com a rotina da sua empresa. Você vai passar uma mensagem muito negativa, do tipo “…aqui não nos importamos com coisas que não funcionam”. Ah, e não se esqueça de estudar com profundidade as causas do não funcionamento. Atue nestas causas para que a falha não se repita. E repita sem parar a auditoria.

 

   Também não permita pessoas que não funcionem. Avaliação de desempenho deve ser o instrumento. Avaliação deve ser rápida, frequente e formal e gerar planos corretivos. Avaliações anuais de desempenho não servem para coisa alguma. Um ano é muito tempo para qualquer atividade produtiva em uma empresa.

 

Paulo Ricardo Mubarack 

www.mubarack.com.br


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