Dificuldades da indústria surpreendem os ministros

Dificuldades da indústria surpreendem os ministros

Comitiva de Caxias do Sul esteve em Brasília para relatar a atual situação do setor metalmecânico à intergrantes do governo federal

Roberto Hunoff, de Caxias do Sul

As três audiências realizadas ontem, em Brasília, por representantes de trabalhadores e empresários da indústria metalmecânica de Caxias do Sul tiveram uma situação em comum: os dados apresentados, relatando a queda de faturamento e a redução no volume de empregos no ano passado, e o cenário atual de dificuldades surpreenderam e deixaram ministros preocupados. A comitiva, que teve à frente o presidente Getulio Fonseca, do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs), reuniu-se com os ministros Pepe Vargas, da Secretaria das Relações Institucionais; Miguel Rossetto, da Secretaria Geral da Presidência da República; e Armando Monteiro, do Desenvolvimento Econômico. 

“Todos manifestaram muita preocupação com o que foi exposto e assumiram compromisso de levar a demanda adiante junto a outros setores do governo diretamente envolvidos no problema”, revelou Fonseca.

O dirigente empresarial destacou a conduta do ministro Armando Monteiro, que informado da situação por Pepe Vargas e Rossetto, cancelou compromisso de agenda e pediu ao grupo, que já estava no aeroporto, para que retornasse ao seu gabinete. “Ele ficou surpreso com a realidade e se prontificou a buscar soluções.” Assim é que Armando Monteiro solicitou agendamento de visita à cidade para o início de março. O objetivo é realizar encontros com o setor industrial da cidade para aprofundar a discussão de alternativas em busca de soluções que garantam a retomada da atividade produtiva no segundo semestre. “Também vamos tentar viabilizar que ele participe de reunião-almoço da CIC”, acrescentou Fonseca.

O ponto central das reivindicações do setor empresarial, que estava acompanhado de Assis Melo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, é a mudança na política de financiamentos do Bndes para a aquisição de máquinas e equipamentos. Até dezembro passado, o banco financiava de 90% a 100% do bem. Agora, dependendo do porte do cliente, a exigência de entrada varia de 30% a 50%. 

“Esta mudança atingiu diretamente as indústrias locais, que trabalham com veículos para o transporte de cargas e passageiros, além de máquinas agrícolas. Até entendemos que era necessário fazer algumas alterações, mas o remédio foi amargo demais,” salientou Fonseca. Além disso, a taxa de juros praticamente dobrou.

De acordo com o presidente do Simecs, o alerta feito não se limita à Caxias do Sul, mas a todo o segmento de transportes pesados. Antes da entidade local, a diretoria da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores esteve no ministério, mas tratou de questões mais ligadas ao segmento de automóveis. A comitiva caxiense ainda cobrou ações para aceleração nos programas de autorizações para as linhas do transporte rodoviário de passageiros e de renovação de frotas.

Monteiro, segundo o presidente, quer que Caxias se torne modelo de exportação para todo o Brasil. “Apoiamos e achamos a ideia importante, mas reiteramos que se nada for feito para mudar a situação de hoje pouco poderemos contribuir no futuro.” 

Hoje, o presidente do Simecs, Getulio Fonseca, juntamente com o diretor executivo da entidade, Odacir Conte, tem agenda no Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). O objetivo é avaliar iniciativas para capacitação das médias e pequenas empresas fornecedoras da cadeia automotiva. De acordo com Fonseca, a maioria destas organizações tem problemas gerenciais, que inibem o seu crescimento e a competitividade no setor. “Em um momento de crise como este é preciso ter uma gestão qualificada para que na retomada estas empresas possam atender a demanda que deve vir das grandes indústrias montadoras.”

Custo da energia para o setor sobe para R$ 403,8 por MWh

O custo médio da energia para a indústria brasileira subiu de R$ 402,2 por megawatt-hora (MWh) para R$ 403,8 por MWh, divulgou, ontem, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) por meio do estudo Quanto Custa a Energia Elétrica para a Indústria do Brasil. O aumento é de 12% em relação ao custo médio de R$ 360,7 registrado no final de 2014. O valor também considera a entrada em vigor da bandeira tarifária mais os primeiros reajustes do ano, informou o gerente de Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema Firjan, Cristiano Prado. 

 A previsão de aumento do custo da energia para a indústria foi atualizada pela Firjan,  passando de 27,3% no ano passado para 34,3%, devido ao fim do subsídio do Tesouro Nacional. 

“Considerando que a gente provavelmente vai ter bandeira tarifária vermelha o ano inteiro, a previsão de aumento chega aos 40% para este ano. Isso não incluindo o custo de energia de Itapu, que vai ser repassado, e o que as distribuidoras  podem pedir de reajuste extraordinário”, disse. 

A expectativa é que o custo da energia para a indústria supere 40% no decorrer de 2015. 

Fonte: Jornal do Comércio RS

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