Trabalho remoto ganha mais espaço nas empresas

Trabalho remoto ganha mais espaço nas empresas

Qualidade de vida e economia de custos são os principais fatores que levam as companhias a optarem por essa forma de rotina

Diana Dantas

A odisseia de passar horas no trânsito para chegar ao trabalho pode estar chegando ao fim para algumas profissões. Tecnologia da Informação, desenvolvimento, pesquisa, áreas de criação e de vendas são alguns dos setores que, aos poucos, começam a se beneficiar do home office. A empresa Powwownow, uma das principais fornecedoras de chamadas de vídeo conferência da Europa, fez um levantamento que mostrou que 52% de 2 mil profissionais entrevistados já têm a possibilidade de trabalhar de forma remota para suas empresas.

“Esse processo [de as empresas concederem ao funcionário a chance de trabalhar em casa] é mais lento no Brasil do que lá fora, por conta dos encargos trabalhistas existentes aqui. Mas acredito que essa seja uma tendência muito forte, pois saímos de 90 clientes em 2013, para 140 em 2014. É uma questão urbana. Essa falta de mobilidade derruba a nossa qualidade de vida”, explica Kiki Lessa, diretora-executiva da BQ Escritórios, que oferece serviços voltados aos profissionais em home office, como escritórios virtuais e locação de salas para ocasiões pontuais.

Para Antonio Nascimento, sócio da Solver RH, a qualidade de vida foi a mais importante na hora de a empresa optar por esse tipo de rotina. “Hoje, dos nossos 50 colaboradores, 40 trabalham em casa. Tem uma pequena minoria que vai ao escritório, que fica em Niterói. Isso gera qualidade de vida e uma economia nos deslocamentos. O tempo que eles gastariam no trânsito é dedicado ao trabalho”, conta.

Além de poupar tempo, também poupa-se dinheiro. “Tem a questão ainda do metro quadrado, que tem um custo altíssimo. Dessa forma, é possível manter um escritório menor, mesmo que em um local valorizado, em que as pessoas vão apenas uma vez ou outra”, diz Nascimento.

Desafios

Trabalhar em casa, no entanto, tem seus desafios. Segundo Kiki, a comunicação constante entre os funcionários da empresa é importante. “A companhia, muitas vezes, faz uma reunião semanal com a equipe. As pessoas precisam estar alinhadas com o que acontece. É necessário ter um olho no olho.”

Já em casa, o maior desafio é manter a disciplina. “Tem colaboradores que são acostumados ao ambiente de escritório, que no início até preferem trabalhar na sede da empresa. Fazem um estágio para essa mudança, para se ambientar. Depois passam a ir só três vezes por semana, por exemplo”, conta o sócio da Solver RH.

Ele ainda explica que horários fixos não são tão importantes para quem trabalha remotamente. “A gente não tem tanto rigor em relação a isso. O normal é trabalhar oito horas, mas se a pessoa teve alguns compromissos e fez só seis, não tem problema. O que mais conta para nós é a produtividade. Essa é lógica.”

Para garantir sucesso no home office, Nascimento destaca ainda que a família também tem papel fundamental. “É necessário que todos na casa tenham entendimento de que o colaborador está trabalhando. É importante que ele tenha um espaço somente para isso, porque ele não pode estar em uma teleconferência e ter uma voz de criança brincando ou um cachorro latindo ao fundo. Faz parte do processo dedisciplina desse modelo.”

Fonte: Brasil Econômico

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