Renegociação de dívidas deve ser prioridade para pequenas

Renegociação de dívidas deve ser prioridade para pequenas

Gestão de pequenas Para profissionais de gestão, repensar o produto, o modelo de negócio e os processos de produção também podem ser chave para garantir a redução de custos

Vivian Ito

São Paulo – Para sobreviver à retração econômica, queda nas vendas e conservadorismo dos bancos, as micro e pequenas empresas (MPE's) devem ter a renegociação de dívidas como principal estratégia.

Mesmo que o balanço anual esteja negativo, MPEs devem se concentrar em manter seus credores, fornecedores e clientes. "O crescimento da empresa é ideal, mas neste cenário o importante é sobreviver", afirma o presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP), Joseph Couri.

Segundo ele, para melhorar a situação é necessária a criação de políticas públicas que possam reverter a condição. Neste momento, não há crédito para o mercado e conseguir recursos está extremamente difícil, diz.

De acordo com dados da pesquisa do Simpi em parceria com o Instituto Datafolha, apenas 35% das MPEs estão conseguindo empréstimo com os bancos. Enquanto que 38% têm procurado empréstimo pessoal.

"Honrar as contas em dia está difícil. Tanto que 17% das empresas estão realizando demissões", explica o executivo. Para ele, as MPEs estão com um alto índice de inadimplência e o único recurso possível é a renegociação para conseguir manter a atividade até que a condição macroeconômica mudar.

O professor de finanças do Ibmec do Rio de Janeiro, Gilberto Braga, concorda. Contudo, ele afirma que, se a empresa já possui um relacionamento com o banco, a renegociação e a escolha de uma linha de crédito com juros menores fica mais fácil. "Se o empresário não se faz presente , o banco não irá procurá-lo. As MPEs devem ter a iniciativa de renegociação", ressalta Braga.

Mas ele lembra que é preciso existir um cuidado. A dívida e os juros da mesma devem ser levadas em consideração para o orçamento do próximo ano. Caso essa possibilidade não exista, o professor explica que uma boa estratégia é rever a política de gestão de estoque.

Recursos

Antes as empresas realizavam compra de componentes e matéria-prima em massa, mas isso só funciona se o giro do produto for rápido, ou pelo menos, na mesma velocidade de venda. "Em tempos de retração é necessário utilizar esse estoque, renegociar com fornecedores e diminuir as despesas", analisa.

Mas, caso todas as possibilidades sejam negadas, o empresário deverá medir as consequências de manter a empresa, diz. Para ele, as três medidas emergenciais são: procurar associações de empresas do mesmo segmento, realizar parcerias (fusão) ou até vender o próprio negócio. Tudo para tirar o maior proveito da decisão. "Muitas vezes adiamos o inevitável e a dívida é maior".

Ainda segundo o professor de finanças, a procura por associações não deve ser vista como uma desvantagem. Em um mercado normal podem ser concorrentes, mas em retração ambas podem ser partidárias da mesmas questão, conclui.

Gestão

Mesmo com um cenário mais negativo, especialistas de recursos humanos acreditam que com uma estratégia bem elaborada e o reposicionamento do modelo de negócio é possível reverter a situação.

De acordo com a business coach da ActionCOACH, Patrícia Atui, um dos maiores desafios de gestão das MPEs é manter a organização de seus resultados financeiros.

Segundo Patrícia, é normal que empresas com pouca experiência não tenham instrumentos financeiros esclarecidos e acabem tendo prejuízo. "Por isso, é importante a profissionalização desta gestão", afirma.

Para ela, o primeiro passo para tirar a empresa do vermelho ou acelerar seu crescimento é investindo tempo na análise do negócio. "A melhor estratégia para esses momentos é contratando um consultor da área ou em mão-de-obra qualificada", ressalta. Segundo a coach, muitas empresas não têm noção do que é um o controle de custos e quais são os instrumentos de gestão orçamentária.

Por isso, um bom investimento pode ser a procura por ajuda, mesmo que o orçamento seja limitado. "Muitas consultorias recebem só após o resultado da ação", explica.

Mais parcerias

Outra estratégia, segundo ela, é aumentar as parcerias e contatos de relacionamentos. É difícil para um empreendedor que está iniciando entender que seu papel não é fazer o trabalho manual, mas de contatos no meio empresarial e de analisar de resultados. Segundo a executiva, muitas vezes 80% dos problemas de uma empresa são internos. "Para melhorar os resultados, a MPE não precisa gastar na estratégia", analisa a especialista da ActionCOACH.

Para ela é possível melhorar o desempenho com treinamentos, marketing digital, parcerias e controle de metas. "Com ações mais simples, é possível aumentar a lucratividade do negócio", afirma.

Para o business coach da ActionCOACH, Robson Dal Bó, a conquista de clientes antigos também pode ser uma estratégia rentável. "Reconquistar antigos consumidores é seis vezes mais barato que a captação de novos", afirma Dal Bó. Além disso, o especialista afirma que o incentivo do intraempreendedorismo também ajuda. O importante é aumentar a demanda, por isso vendedores ativos podem fazer a diferença em tempos de retração econômica.

Aumento de demanda

No caso Ossos, empresa fabricante de ossos artificiais criada em Jaú (SP), a ideia foi investir na captação de novos clientes. A diretora da companhia, Fabiana Franceschi, concorda. Dependendo da gravidade de cada empresa é possível realizar ações que caibam em seu orçamento, comenta ela. "A estratégia foi aumentar a capilarização da distribuição e a venda através do site", afirma a sócia.

Segundo ela, a ação foi possível através de parcerias com fornecedores e distribuidores regionais. Além disso, a empresária afirma que a companhia passou por uma mudança na identidade visual para poder atrair novos negócios. "Além de diversificar a nossa linha de produtos", explica a diretora. Não adianta focar no produto, o foco deve ser a necessidade do cliente.

De acordo com ela, quanto melhor a MPE explorar o seu segmento de mercado, mais oportunidades terá para captar novos clientes e aumentar sua lucratividade. Em 2015, a empresa teve alta de 50% em seu faturamento. Mesmo com a desaceleração do crescimento econômico do País, a companhia Ossos estima que deverá atingir crescimento de 20%.

 

Fonte: DCI – SP

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *