Demissões, endividamento com bancos e carga tributária

Demissões, endividamento com bancos e peso da carga tributária atingem os mais altos índices dos últimos 20 meses entre as mpi’s, aponta pesquisa do sindicato da micro e pequena indústria de são paulo

"Se não houver mudanças na economia e no setor financeiro, é possível que o cenário piore ainda mais nos próximos meses”, afirma o presidente do Simpi-SP, Joseph Couri

A 20ª rodada do Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo (Simpi-SP), encomendada pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP) revela que as demissões e a expectativa de não contratação atingiram os mais altos índices da série histórica: 17% e 87%, respectivamente.

As contratações permaneceram estáveis nas micros e pequenas indústrias, passando de 11% em setembro, para 10% em outubro – bem abaixo do registrado no mesmo período de 2013, quando chegou aos 17%.

Impostos e investimentos

Para 58% dos dirigentes das MPI’s os impostos dificultam muito o desempenho da empresa – a maior taxa já registrada desde outubro do ano passado, quando a pergunta foi incluída no levantamento.

Diante das dificuldades enfrentadas pela categoria econômica, o índice de investimento voltou a cair após três altas consecutivas, chegando aos 34 pontos, ante 40 no levantamento anterior. A taxa é 9 pontos abaixo do registrado em outubro de 2013.

A expectativa de investimentos em máquinas e equipamentos, reforma ou ampliação do espaço físico passou, do mais alto índice registrado em setembro, 27%, para o mais baixo em toda a pesquisa, 13%.

Faturamento e margem de lucro

O estudo revela, ainda, que a avaliação de ruim ou péssimo do faturamento das micros e pequenas indústrias subiu de 28% em setembro, para 32% em outubro. No mesmo período do ano passado era de 19% – o mais baixo já registrado.

A pesquisa aponta, também, que cresceu o número de dirigentes insatisfeitos com a margem de lucro. Em setembro, 29% consideravam a lucratividade do negócio ruim ou péssima. Já em outubro, o índice subiu para 32%.

Endividamento, linhas de crédito e inadimplência

O endividamento com banco ou instituições financeiras atingiu o mais alto patamar, 17%, ante 12% registrado em setembro. Ainda, 19% deixaram de pagar algum imposto – ligeira alta em relação ao mês anterior, 18%. O levantamento aponta, também, que 11% deixaram de pagar despesas e 10% não honraram os compromissos com os fornecedores.

Em outubro, as fontes de crédito mais usadas para a composição do capital de giro foram, mais uma vez, as linhas voltadas a pessoas físicas, 38%, enquanto que o acesso às linhas de crédito para pessoa jurídica caiu de 35% para 33%. 

Para o presidente do SIMPI-SP, Joseph Couri, a atual situação pode piorar, ainda mais. “64% das MPI’sestão enfrentando dificuldades – algo em torno de 173 mil empresas, que empregam 900 mil trabalhadores.Se não houver mudanças na economia e no setor financeiro, é possível que o cenário piore ainda mais nos próximos meses”.

A Pesquisa

A pesquisa do Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, encomendado pelo Simpi-SP e efetuada pelo Datafolha, foi realizada entre os dias 13 e 27 de outubro, com 303 micros e pequenas indústrias paulistas. São consideradas micros as indústrias que empregam até nove funcionários, e pequenas, de 10 a 50 trabalhadores registrados.

A íntegra das 20 pesquisas realizadas pelo Simpi-SP e Datafolha, desde março de 2013, estão disponíveis no site da entidade (www.simpi.org.br).

Fonte: Simpi

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