Custos para exportação pesam mais sobre PMEs

Custos para exportação pesam mais sobre PMEs

A redução dos custos do comércio exterior, tema do Encontro Nacional de Comércio Exterior deste ano, pode incentivar as empresas de menor porte a se manter no mercado internacional

Os custos do comércio exterior têm impacto ainda maior sobre as pequenas e médias empresas. O raciocínio é simples: taxas cobradas para exportação são semelhantes independentemente do valor da operação. Isso tira a competitividade das PMEs brasileiras,  que não têm fôlego para arcar com essas despesas.

“Se, por exemplo, um certificado de origem for R$ 500, para uma empresa que pretende exportar US$ 2 mil, esse custo terá uma porcentagem mais elevada do que uma outra que exporta US$ 100 mil, explica o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.  “Se a grande empresa tem problemas, as PMEs, que não têm a mesma capacidade produtiva e não são bem treinadas, têm dificuldades ainda maiores”, analisa Castro.

Ele lembra que já houve tentativas de criar consórcios de exportação no Brasil, como acontece em países como a Itália, em que uma empresa representa diversas outras, com um único certificado jurídico, mas o projeto esbarra na falta de legislação específica.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, em 2013, 862 empresas realizaram exportações de até US$ 1 mil. O valor exportado por elas foi de US$ 397,2 mil, o equivalente a cerca de US$ 460 por empresa. “É uma média muito pequena, o que leva a crer que essas exportações foram feitas por meio dos Correios”, diz Castro, acrescentando que, no Brasil, há 18.809 empresas exportadoras, mas apenas mil representam 85% do total exportado pelo país.

A economista da FGV Lia Valls lembra que a taxa de entrada e saída do comércio exterior de empresas de menor porte é muito alta. “Continuar exportando exige um planejamento de longo prazo. Muitas empresas não têm uma estratégia de permanência, não têm uma cultura exportadora. Quando o mercado interno está bom, se voltam para esse mercado”.

Segundo o gerente de Competitividade Empresarial da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Tiago Terra, questões ligadas à gestão, como planejamento, controle e adequação do controle produtivo, são as maiores dificuldades enfrentadas pelas empresas que buscam o programa de capacitação para o mercado externo da agência, o Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex).

“É preciso ter capacidade produtiva para exportação, adaptar materiais promocionais e embalagens de forma a estar preparada para participar de missões e rodadas de negócios, segundo o idioma e as regras do país que se deseja exportar e conhecer o preço do produto até que ele seja entregue”, afirma Tiago Terra. Segundo ele, esses pontos são fundamentais para que as PMEs se mantenham no mercado internacional.

Fonte: Brasil Econômico

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