Crescer implica perder controle acionário

Crescer implica perder controle acionário

Filipe Oliveira
De São Paulo

Trazer novos investidores é uma forma de acelerar os negócios. Porém, quanto mais recursos entram, menor tende a ser o controle dos fundadores sobre a empresa.
O caso do Twitter é um exemplo: quando chegou ao momento de sua abertura de capital (primeira venda de ações na Bolsa), em 7 de novembro passado, os três fundadores da companhia já não atuavam no cotidiano da empresa, aberta em 2006.
Eles são atualmente acionistas minoritários, com menos de 10% de participação na sociedade cada um.
Isso não significa dizer que eles fizeram um mau negócio, lembra o professor da Fundação Getulio Vargas Oscar Malvessi. "Eles são ricos com 3% de participação. Já se não tivessem vendido a maior parte de suas ações, não teriam nada."
No fim do primeiro dia de negociação das ações, o valor de mercado da empresa era de US$ 18 bilhões (cerca de R$ 41,5 bilhões).
Segundo o professor, a definição sobre quando vender ações da empresa em troca de investimentos depende principalmente da necessidade de recursos do negócio, e não deve ser pautada por questões como vontade de manter o controle.
Já Marcelo Nakagawa, professor do Insper, instituto de ensino e pesquisa, identifica uma melhor hora para a troca de controle. Analisando o mercado de start-ups (empresas iniciantes), recomenda que os fundadores deixem de ter a maior parte das ações em um momento de consolidação da empresa, quando ela já alcança um crescimento no mercado (veja abaixo).
Isso porque, diz, investidores não estão interessados em tomar decisões da empresa quando ela está em um estágio muito inicial.
Quanto à possibilidade de que os investidores decidam trocar o comando da empresa, Nakagawa considera isso algo natural, na medida em que nem sempre a pessoa que iniciou a empresa é a mais adequada para comandá-la em etapas seguintes.
Depois de receber seu primeiro aporte de investimentos, em 2011, os fundadores do site de conteúdo Omelete cederam um percentual da sociedade. E, de acordo com o desempenho do negócio, vão abrir mão de uma fatia ainda maior.
Marcelo Forlani, 38, um dos fundadores, conta que o negócio nasceu como um trabalho secundário de quatro amigos, com participação igualitária.
Com o investimento, a empresa incorporou Pierre Mantovani, do fundo TechRock, que passou a ser o sócio majoritário e diretor do negócio.
"Decidimos que o investidor compra uma participação igual dos sócios. Atingindo as metas, vamos repassar uma parte maior das cotas para ele", diz Forlani.

Fonte: Folha de São Paulo

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *