Sistema tributário afasta franchisings estrangeiras

Sistema tributário afasta franchisings estrangeiras

Empresas nacionais são favorecidas na disputa pelo mercado no País

Roberta Mello, da Praia do forte (BA)
Um dos principais entraves para o desenvolvimento das marcas nacionais também serve para fortalecê-las e torná-las mais capacitadas para crescer internamente do que grupos estrangeiros. Para os fundadores e diretores de grandes marcas do franchising, como O Boticário, Cacau Show e outras, a alta carga tributária e a complexidade na arrecadação podem se tornar aliadas da indústria brasileira na concorrência. Segundo eles, não são raros os exemplos de empresas que tentam ingressar no Brasil, mas acabam por desistir devido a isso, enquanto asempresas locais aproveitam a experiência adquirida durante anos para galgar mais espaço no mercado.
O CEO da Brazil Fast Food Corporation (BFFC), Ricardo Bomeny, provocou cada um dos 470 congressistas presentes na 13ª Convenção ABF do Franchising, promovida pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), a levantar a mão caso soubesse explicar todos os impostos que recaem sobre seus produtos e serviços. Ninguém foi capaz de levantá-la, comprovando a tese de que o Brasil tem um sistema tributário heterogêneo, o que desafia o setor de franchising, cujos franqueados estão em diferentes regiões do País e precisam receber acompanhamento jurídico e contábil das franqueadoras.
Porém, é exatamente a capacidade do empresário brasileiro de se adaptar à realidade e usar a criatividade para superá-la o que faz com que se torne capaz de conviver melhor e, como diz o ditado popular, “fazer do limão uma limonada”. Conforme o fundador e presidente do Grupo Cacau Show, Alexandre Tadeu da Costa, o Brasil é um país com questões logísticas e tributárias complexas, mas, no caso do franchising, os grandes inimigos se tornam aliados na competição com os estrangeiros. “Quando me perguntam se eu quero exportar, digo que quero exportar para o Acre, para a Amazônia”, brincou Costa, deixando clara a crença de que ainda há muito a expandir no mercado nacional.
Para o presidente do Habib’s, Antonio Alberto Saraiva, hoje o foco é o Brasil. “Não sou contra a internacionalização, mas ir para fora hoje é mais uma questão de realização pessoal do que uma necessidade”, defendeu. Os empresários demonstram certa apreensão para o próximo ano, com os possíveis reflexos de um 2013 cheio de altos e baixos, mas preferiram manter certo otimismo, em consonância com a projeção da ABF de crescimento em torno de 13% em 2014. Um dos grandes empecilhos para o maior desenvolvimento do setor é o grande número de feriados devido à Copa do Mundo. “Os feriados nacionais em dias de jogo devem diminuir entre 1% e 2% o faturamento do segmento”, previu o presidente do grupo O Boticário, Artur Noêmio Grynbaum.
O fundador da escola de idiomas Wizard e do Grupo Multi Educação, Carlos Wizard Martins, defendeu que os franqueadores brasileiros mantenham o olhar voltado às inúmeras razões para serem protagonistas e não àquelas que podem torná-los vítimas. Àqueles que querem se desenvolver, Martins sugeriu: “busquem um franqueado empreendedor, criem um sistema de marketing cooperado, mantenham uma equipe jurídica forte e participem dos eventos da ABF”.

Grandes marcas brasileiras focam nos pequenos investidores

Uma das tendências do franchising brasileiro é mirar cada vez mais nos pequenos investidores. Se você acha que grandes marcas não têm a ver com pequenos empreendedores ou com iniciativas de mar-keting personalizadas, pode mudar de opinião. Essas são algumas das novidades mais discutidas durante os quatro dias da 13ª Convenção ABF do Franchising.
As microfranquias, que exigem investimento inicial de até R$ 80 mil e garantem lucro de até R$ 30 mil, são um dos setores do franchising que mais cresce, tendo faturado R$ 4,5 bilhões no ano passado, já somando 368 marcas. Conforme o sócio-diretor do Grupo Zaiom, operador das redes Home Angels, Dr. Faz Tudo e Dr. Jardim, entre outras, e sócio-diretor da Tutores, Artur Hipólito, esse é um segmento que deve continuar em constante expansão graças principalmente à ascensão da classe C e, consequentemente, a melhor formação educacional da população brasileira.
“As microfranquias são oportunidades para aqueles que querem trocar o mundo do emprego pelo do trabalho. Tenho uma franqueada que teve de vender o carro para abrir uma loja com R$ 15 mil. Hoje ela está realizando o sonho de ir pela primeira vez aos Estados Unidos conhecer a Disney com a família”, diz Hipólito. Em um País empreendedor por natureza, as microfranquias são uma oportunidade de crescimento para inúmeras pessoas. Porém, junto com isso vem uma grande responsabilidade do franqueador, que tem obrigação de garantir que o sonho do franqueado não se transforme em pesadelo e de treiná-lo jurídica, empresarial e comercialmente.
Para garantir maior segurança aos interessados em investir no setor, a ABF está elaborando junto com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) uma cartilha que servirá como primeiro contato dos possíveis investidores com aquela que pode se tornar sua micro ou pequena empresa. Um dos responsáveis pela elaboração do documento, Hipólito indica que, antes de tudo, o franqueado observe aqueles serviços ou produtos com os quais mais se identifica – “não adianta escolher uma franquia com a qual não tenha nada a ver e querer que ela dê dinheiro” – e depois procurar auxílio profissional.
Como empurrãozinho adicional para quem já tem uma microfranquia, a Associação Brasileira de Franchising fechou um acordo com o banco Bradesco, durante o evento, com o objetivo de ofertar linhas de Microcrédito Produtivo Orientado para Microfranquias. A linha de crédito estreia com R$ 300 mil destinados a financiar a aquisição de bens, capital de giro, montagem, reforma e modernização. Como benefícios, o microfranqueado terá carência de até 59 dias para o pagamento da primeira parcela, prazo de financiamento de até 24 meses, com limite máximo de operação de R$ 15 mil e taxa a partir de 2,8% ao mês. 
Outro paradigma debatido durante o encontro foi o de que o marketing ou a propaganda eficientes devem passar por grandes redes de comunicação e contar com altos investimentos financeiros. O diretor-presidente da Imaginarium, Carlos Zilli, defendeu que, assim como a empresa tem seu nicho de mercado, a propaganda também precisa ser estratégica e que ações pequenas direcionadas ao cliente podem ser mais eficazes do que uma marca dentro de um programa de sucesso, como uma novela ou um reality show.
Com produtos bem-humorados e criativos, a Imaginarium descobriu que instigar o consumidor a participar da comunicação por meio da elaboração de histórias em uma plataforma colaborativa chamada Solte o Verbo faz com que todos deem mais atenção ao valor agregado do produto. Além disso, “nossas vitrines e nossos funcionários também são responsáveis pela comunicação da marca”, diz Zilli, antenado ao conceito de “omni channel”, que prevê a integração de todos os canais de venda e comunicação.
O grande desafio do varejo é acompanhar as tendências econômicas e comportamentais da sociedade. As novas tecnologias e a entrada de novos perfis de franqueado estimulam o franchising a se reinventar. Mas um setor cujo crescimento está acima de dois dígitos há cerca de dez anos não parece temer essa necessidade de renovação.
Dicas para quem quer investir em uma franquia
* Visite o portal da ABF e detecte marcas interessantes com as quais se identifique
* Não superestime a capacidade de investimento (o valor de investimento indicado é realmente o necessário)
* Dê atenção especial às marcas com o selo de excelência da ABF
* Não compre sem falar com franqueados da rede
Fonte: ABF

Fonte: Jornal do Comércio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *