Mudança de rumo nas auditorias

Mudança de rumo nas auditorias

Marco Antonio Papini é sócio-diretor da MAP Auditores Independentes, uma associada à CPAAI

O mercado brasileiro de auditoria já sente os reflexos da intensa movimentação iniciada anos atrás, quando diversas empresas de menor porte começaram a ser incorporadas por companhias mais robustas da área, ou simplesmente se agregaram a redes e associações internacionais, a fim de formar parcerias estratégicas. Em certa medida, muitas pequenas e médias empresas do setor estão se beneficiando desta reviravolta. Ao analisar detalhadamente os cenários possíveis, passaram a adotar novas diretrizes internas, com o objetivo de elevar sua visibilidade, competitividade e margem de lucro em âmbito nacional.

Essa mudança de rumo é sobretudo necessária, pois as grandes consultorias estão se reestruturando e ampliando a busca por novos nichos de atuação. Algumas até já criaram áreas voltadas a atender médias empresas, e tudo indica que os pequenos empreendimentos com viés de crescimento sejam o próximo alvo.

Ameaças assim somam-se a problemas crônicos enfrentados internamente, desde o retorno insatisfatório sobre os investimentos realizados até a dificuldade de atrair e reter novos talentos. Sem falar na pressão muitas vezes exercida por sócios das empresas menores de auditoria pela maior entrada de honorários, uma visão flagrantemente simplista, convenhamos.

Retomar a rota do sucesso implica, na verdade, a adoção de novas posturas e não se afastar um milímetro sequer de preceitos básicos da área como a integridade na realização do trabalho e a eterna disposição de investir em inovação, tecnologia e capacitação.

Mas isto ainda é pouco, se os sócios das empresas de auditoria deixarem de fazer um autoexame de consciência. É bem simples. Basta responder a duas perguntas básicas: "O que eu faria se a minha empresa fosse dez vezes maior?" e "Qual seria minha atitude se estivesse sendo incorporado a uma estrutura deste porte?

Sobre ambas as hipóteses, possivelmente a maioria diria já estar abarrotada de trabalho, tornando de antemão inviável qualquer uma delas. Ledo engano por parte de quem ainda encara assim a saudável reflexão sobre a perpetuação do seu negócio. Além de não fugir da sempre instigante autoanálise, os executivos precisam delinear uma agenda positiva em várias frentes, desde um plano para reter talentos , melhores salários e bônus estimulantes baseados na meritocracia, até investir forte na área de Tecnologia da Informação.

Neste último caso, evitando a tentação de pensar que TI resolva tudo, pois sem realizar um planejamento estratégico, é grande o risco de se desperdiçarem recursos com a aquisição de softwares. Principalmente se não houver na equipe pessoas capazes de fazê-los funcionar da forma esperada.

Ao contrário, obteriam uma sensível economia de escala ao reduzir o tempo gasto na análise de dados e informações. Afora isso, não há no mercado auditoria capaz de sobreviver à feroz competitividade atual se estiver defasada tecnologicamente, inclusive em comparação à sua clientela.

O êxito da pequena e média consultoria passa também por grandes mudanças culturais em áreas como RH e comercial , sempre em sintonia com a própria TI, dada a grande interdependência que existe entre esses três segmentos.

Devem ainda definir em quais áreas desejam concentrar seu poder de fogo, pois a segmentação abre grandes possibilidades na hora de 'vender' novas ideias, obter recursos, contratar fornecedores e fechar parcerias especializadas em diversas cidades onde haja clientes potenciais.

A exposição da marca e das ideias dos sócios na mídia igualmente contribui para ampliar as possibilidades de negócios. Reportagens e artigos publicados nos veículos de comunicação, por exemplo, agregam muito valor à imagem da empresa frente aos seus clientes atuais e futuros.

A mudança de rumo passa também pela ruptura com velhas máximas nacionais na linha do "O que dá certo lá fora não serve para o nosso mercado". As auditorias de menor porte devem, sim, contrariar este pensamento e surfar na nova onda que vem avançando. Dentre elas, aderir a redes e associações internacionais.

Embora apenas quatro mereçam hoje a classificação de 'big', certamente as muitas anônimas que igualmente ajudam a economia brasileira a andar tendem a se desenvolver mais ainda ao incorporar parte da cultura internacional em seu modelo de atuação. E claro, sempre olhando adiante dos próprios líderes do setor, caso um dia pretendam se aproximar deles. 

Fonte: DCI – SP

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