Nova bolsa deve ter espaço entre pequenas empresas

Nova bolsa deve ter espaço entre pequenas empresas

Caio Zinet

Analistas de mercado financeiro afirmaram que a criação uma possível nova bolsa deve ser voltada para a listagem de médias e pequenas empresas. Para o professor da BBS Business School, Ricardo Torres, o mercado para as grandes empresas já está consolidado na BM&FBovespa, e portanto, o nicho que pode ser ocupado são de companhias de porte mediano e pequeno.

"A entrada de uma nova bolsa pode ser positiva para o mercado, pois cria um ambiente competitivo que pode baixar o preço de listagem que hoje é muito caro, o que, por muitas vezes, inviabiliza a entrada de alguns no mercado", afirmou o docente.

O professor de administração da ESPM, Adriano Gomes, concorda com a avaliação de Torres. "O espaço que existe hoje para outra bolsa é o voltado para pequenas e médias empresas, que ainda são um nicho pouco explorado no mercado de capitais brasileiro", analisou.

A própria BM&FBovespa tem tentando incentivar o crescimento desse mercado, e entregou para o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, no começo do mês, um projeto que prevê incentivos fiscais para investidores que apliquem seu dinheiro em pequenas e médias. O projeto da Bovespa destina-se a empresas com faturamento anual de até R$ 500 milhões, mas esse valor poderá ser modificado pelo governo. Segundo a Bovespa já foram identificadas potencialmente 15 mil empresas com faturamento anual entre R$ 40 milhões e R$ 400 milhões por ano que poderão participar do processo de abertura de capital, caso a proposta seja aprovada pelo governo federal.

Na última quarta-feira, a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) admitiu a possibilidade de incorporar algumas das atribuições que atualmente são exercidas, de forma auto regulamentada, pela BM&FBovespa, em caso de criação de uma nova bolsa.

Para os analistas de mercado, essa medida é vista como necessária para criar ambiente de maior confiança para os investidores direcionem seus recursos para essa nova bolsa.

"A rigor vejo a regulamentação como uma evolução natural do mercado de capitais brasileiros que ainda é muito incipiente. É uma medida que dá segurança, garante mais transparências para as transações e cria um ambiente mais propício para investimentos", afirmou Adriano.

O professor Ricardo Torres também vê a medida com bons olhos. "É uma ótima notícia para o mercado financeiro, a Bovespa já tem uma longa história e conquistou a confiança do mercado, e por isso a CVM que terceirizou parte da regulação para a autorregulação. Uma nova bolsa não nasce com essa aceitação do mercado, é preciso que um órgão com a confiança de mercado da CVM assuma esse papel para que os investidores sintam segurança para direcionar seus recursos para lá para aí começar a pensar em auto-regulementação", afirmou Ricardo.

"Não temos nada contra um novo player, desde que observada à instrução 461 da CVM e que não incida aumento de custos para as corretoras. Até porque o mercado de intermediação já vive num ambiente de ampla concorrência", afirmou o diretor superintendente da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), José David Martins Júnior. O professor Ricardo Torres, no entanto, teme que uma nova bolsa não possa ser viável no Brasil, pois o tamanho do mercado ainda é pequeno com poucas pessoas físicas colocando seus recursos no mercado de capitais em comparação a outros países onde esse investimento é muito mais comum entre a população.

"Pode ser que a criação de uma bolsa não seja viável, pois o mercado brasileiro ainda é muito pequeno e com participação muito grande de investidores estrangeiros, ou seja, a BM&FBovespa já concorre com bolsas de todo o mundo. No Brasil existem apenas 600 mil pessoas físicas que operam ou já operam na bolsa, nos Estados Unidos esse índice é de quase 60% da população", afirmou o professor da BBS.

"O que podemos ver no futuro é um mesmo investidor indo de uma bolsa para outra, o que não agrega tanto valor para o mercado de capitais", complementou o professor Ricardo Torres.

Fonte: DCI – SP

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