Empresas começam a trilhar o caminho da contabilidade ambiental 

Empresas começam a trilhar o caminho da contabilidade ambiental 

Além de desenvolver ações ambientais, as empresas precisam demonstrá-las em seus balanços. Pequenas atitudes podem fazer diferença para a geração de um mundo melhor
Gilvânia Banker
A palavra sustentabilidade virou mania no Brasil, uma moda ecologicamente bem aceita não só no mundo corporativo, mas também pela sociedade. Associar o negócio a uma imagem sustentável é um meio considerado eficaz para ganhar competitividade e conquistar consumidores. Mas o público não aceita apenas discurso. Quer a comprovação das medidas adotadas na prática.
Por isso, é cada vez mais comum as companhias traduzirem as ações em números que possam ser demonstrados no balanço da instituição. “A contabilidade, por estar presente em todos os segmentos da economia, tem papel fundamental na mudança destes paradigmas, auxiliando as corporações na transformação de sua cultura e mentalidade; sendo um importante agente multiplicador do tema da sustentabilidade”, explica a contadora e presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Rio de Janeiro (Sescon-RJ), Márcia Tavares, que realizou palestra sobre o tema na Rio+20. “Quando eu vi o assunto da palestra, fiquei pensativa sobre o que eu iria falar. Mas me dei conta de que a nossa profissão tem reflexo em toda a sociedade, pois um dos setores que mais gera papel é a contabilidade”, destaca.
Nos últimos anos, conforme a contadora, a virtualização dos processos contábeis tem colaborado consideravelmente para a redução de emissão de papéis nos âmbitos federal, estadual e municipal. Sistemas como o Sped contábil e fiscal e a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) trouxeram grandes avanços nesse sentido. A tecnologia se tornou grande aliada na luta pela preservação do planeta. No entanto, na visão da presidente, em nível federal as obrigações fiscais já estão quase que totalmente informatizadas, mas é necessário que os estados e os municípios se modernizem mais. 
As 143 mil empresas do lucro real não necessitam gerar papel, elas transmitem os documentos via Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), gerando uma economia de aproximadamente um trilhão de documentos ao ano. Porém, ainda existem mais de um milhão de empresas no lucro presumido e cerca de cinco milhões no Simples Nacional que não estão totalmente dentro do processo virtual. “É claro que não dá para ter os mesmos parâmetros de tecnologia de obrigação para cada uma delas, mas, se tudo fosse mais simplificado, com menos burocracias, a geração de papel seria ainda muito menor”, garante.
Para a abertura de uma empresa, geravam-se 120 cópias de papéis, porém, segundo Márcia, a burocracia vem diminuindo, e esse número caiu bastante. Mesmo com todas as melhorias, a presidente do Sescon carioca não está satisfeita e diz que ainda faltam investimentos nessa área. Márcia é empresária contábil há 24 anos e acredita que a mudança começa dentro de casa, e também no trabalho. Segundo ela, os empresários sabem disso e já estão transformando seus ambientes profissionais e os escritórios de contábeis também estão empenhados nesse processo junto com seus clientes.
As pequenas atitudes podem fazer a diferença. Na empresa da contadora, o volume de cópias chegava a 20 mil por mês. Depois que adotaram uma atitude pró-ambiental, locaram uma impressora com limite de 5 mil xerox mensais. “Temos um limite por departamento e mandamos até mesmo a folha de pagamento e do FGTS por e-mail para os nossos clientes”, conta. O efeito disso também repercute na economia de gás carbônico na atmosfera ao evitar que as documentações dos clientes tenham de ser entregues por motoboys, que utilizariam um veículo para a locomoção. “Existe toda uma cadeia poluente, mas a gente nem pensa nisso”, destaca.
Balanço demonstra as ações das instituições
O papel da contabilidade dentro do processo de sustentabilidade, para a conselheira do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Gardênia Maria Carvalho, é o de evidenciar as ações das empresas, deixando clara a sua interação com o meio ambiente. “Ela vai mostrar as atuações das companhias através de contas específicas, como: estoques ambientais, receita pró-ambiente, despesas e custos ambientais”, exemplifica. 
Essas contas, segundo a conselheira, precisam estar no balanço da empresa. Porém, algumas instituições realizam essas demonstrações separadamente. “Não é uma nova contabilidade, mas uma especialização”, acrescenta. Segundo ela, as demonstrações no balanço ainda não são uma prática comum, pois não chegam a 1% das empresas brasileiras, o que não significa que elas não tenham uma prática sustentável.
As ações ambientais já foram recomendadas há mais de 20 anos, na Rio 92. Segundo ela, de lá para cá, observa-se um avanço, mas isso poderia ainda ser muito maior. Para os próximos 20 anos, Gardênia espera que elas sejam mais significativas. “Nós ainda achamos que tudo o que está na natureza é de graça e está disponível, mas precisamos ter mais responsabilidade”.
Bradesco é pautado por diversos indicadores
Material plástico reciclado, cartões com foco socioambiental mantidos em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, Fundação Amazonas Sustentável (FAS), onde parte da anuidade destes cartões é repassada a projetos específicos dessas entidades. Essa é uma das dezenas de ações praticadas pelo banco Bradesco em todo o País. Em todas as agências, os cartões de débito e crédito são feitos com plástico PET. 
A contabilidade, de acordo com a gerente de relações com o mercado, Ivani Benazzi de Andrade, participa ativamente desse processo através dos dados e números financeiros que são demonstrados no Relatório de Sustentabilidade, e está disponível por meio do site www.bancodoplaneta.com.br.
Segundo ela, o banco possui iniciativas, que têm por objetivo gerar resultados positivos para a sociedade. De acordo com a gerente, o plano diretor, desenvolvido pelo grupo de trabalho da Ecoeficiência, visa a estabelecer uma estrutura de gestão ambiental alinhada aos negócios. Das ações desse programa, destacam-se o redesenho dos envelopes de depósito, com o objetivo de reciclar o material. Em 2011, foram reciclados aproximadamente 300 mil quilos desse material, além da substituição do PVC pelo PVC reciclado para os crachás dos funcionários. Além disso, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, foram plantadas mais de 30 milhões de mudas de árvores nativas, o equivalente à recuperação de 18.421 hectares.
Instituto Vonpar incentiva programas de reciclagem
Os galpões de reciclagem presentes em diversos bairros recebem o incentivo do Instituto Vonpar que já somam mais de 170 unidades em todo território gaúcho e catarinense. O Instituto Vonpar já investiu mais de R$ 2 milhões nessas unidades.
De acordo com o coordenador do instituto, Léo Voigt, são muitas as ações de sustentabilidade, mas, talvez, a mais significativa seja a da área industrial. “A Vonpar tem produção em larga escala e consegue obter índice quase zero em formação de resíduos, ou seja, sua fabricação é quase totalmente limpa”, explica.  A Coca-Cola produz cerca de 2 milhões de unidades do refrigerante ao dia na fábrica da Capital gaúcha. “Isso é monstruoso e sem gerar resíduo, ninguém faz isso”, orgulha-se Voigt.
Jornal do Comércio
 

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