Mais da metade das empresas do país não consegue contratar

O Brasil é o terceiro país do mundo com mais dificuldade de preencher vagas. A pesquisa "Escassez de Talentos" feita pela Manpower revela que 57% dos empregadores brasileiros admitem dificuldade de contratar. O índice é 67% maior do que a média global, que é de 34%. A pesquisa foi feita em 39 países e o Brasil só perde para Japão (80%) e Índia (67%).

A situação do pleno emprego e a falta de qualificação obrigam as empresas a serem criativas não só para preencher as vagas, mas para manter os funcionários. Segundo o porta-voz da Manpower Brasil, Riccardo Barberis, enquanto o talento não pode ser fabricado em curto prazo, a melhor estratégia é capacitar a mão de obra.

O diretor de operações da Telbrax, Carlos Ribeiro, atua na área de tecnologia da informação (TI) desde 2005 e viu o salário dos analistas valorizar cerca de 40% diante da demanda por este profissional. "Em 2005, o salário base era em torno de R$ 1.800, hoje não se contrata por menos de R$ 2.500. E isso é explicado porque há demanda e os profissionais trocam constantemente de emprego, inflacionando o salário", observa.

Segundo Ribeiro, esse "carreirismo" dificulta ainda mais as contratações. "A estratégia da Telbrax é promover pequenos, mas constantes reajustes, e também antecipar contratações, para encontrar alguém não apenas capacitado, mas com um perfil compromissado", afirma.
A princípio, completa ribeiro, sai caro para a empresa, mas a redução de custos com treinamento de quem entra e logo depois sai compensa a despesa.

O master franqueado da Adcos, Guerra Filho, reclama que a principal dificuldade é lidar com o perfil da nova geração, que é mais imediatista e quer ganhar mais e rápido. "Quando abro um processo de seleção, às vezes ligamos para várias pessoas e poucas aparecem para a entrevista. Outro problema muito sério é a falta de capacitação", afirma.

Para contornar essa deficiência de qualificação, além dos tradicionais treinamentos, a Adcos promove uma gincana do conhecimento de 45 em 45 dias, para avaliar a equipe. "Fazemos uma banca e as consultoras, que estudam muito, fazem uma apresentação. A maior nota ganha um prêmio que pode ser vale-compras em produtos, um jantar ou um tratamento", conta Filho.

Quando o cargo exige especialização, preencher a vaga é ainda mais difícil. A gerente de Recursos Humanos da rede de lojas de instrumento Serenata, Ana Maria Nolasco, está atualmente com 12 vagas de consultores de vendas em aberto e mais oito em outras áreas. "Precisamos que o candidato tenha conhecimento de instrumentos e música, mas temos que abrir mão de experiência de vendas e criamos nossos próprios treinamentos", afirma Ana Maria.

Fonte: O Tempo

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