Pequenas e médias empresas precisam seguir normas contábeis internacionais

Se antes as normas contábeis internacionais eram assunto para os CFOs (Chief Financial Officer) das grandes empresas, agora a tendência é que as pequenas e médias empresas profissionalizem sua contabilidade e entrem também nos padrões seguidos mundialmente. A busca pela transparência corporativa, a facilidade para a comunicação financeira entre a empresa e seus stakeholders, e o aumento dos investimentos e das fusões e aquisições ao redor do mundo são alguns dos principais motivos para a implantação do novo modelo de contabilidade internacional.

“O processo de globalização da economia e dos mercados exige cada vez mais uma linguagem financeira universal. A contabilidade viabiliza a comunicação entre a empresa que reporta as suas demonstrações contábeis e os usuários de informações ao redor do mundo”, explica Joubert da Silva Jerônimo Leite, diretor executivo da Nova América Auditoria, Consultoria e Contabilidade.

Para normatizar essa linguagem surgiu o IFRS – International Financial Reporting Standards, um conjunto de normas internacionais de relatórios financeiros. Há dois modelos, o Full IFRS que alcança as grandes empresas e o IFRS for SMEs que alcança as pequenas e médias empresas.  No Brasil, obrigatoriamente foi implantado em 2010 por exigência de alguns órgãos reguladores, como Comissão de Valores Mobiliários, Conselho Federal de Contabilidade e Banco Central do Brasil.

A padronização dos relatórios financeiros permite, por exemplo, que um investidor estrangeiro compreenda de maneira simples as demonstrações contábeis de empresas de qualquer país. Desta forma, pode haver um fluxo maior de negócios para as empresas brasileiras, já que o País está em posição de destaque no cenário econômico mundial.

Estas medidas afetam diretamente a maioria das empresas brasileiras, que são pequenas e médias. Dados publicados no “Relatório de Estatística do Cadastro Central de Empresas”, realizado pelo IBGE em 2007, apontam que 89% das empresas e outras organizações ativas tinham até nove pessoas empregadas, 9,3% de 10 a 49, 1,3% de 50 a 249 e 0,4% de 250 ou mais. Ou seja: as pequenas e médias empresas representam quase a totalidade dos empreendimentos do Brasil. 

“As pequenas e médias empresas tiveram que se adaptar a várias mudanças, desde a estrutura de apresentação das demonstrações contábeis, como os métodos para mensuração e reconhecimento de ativos, passivos, receitas e despesas”, exemplifica Jerônimo. No entanto, o diretor executivo alerta que muitas empresas de assessoria contábil e tributária que atendem as pequenas e médias empresas ainda estão se adaptando ao modelo, mas que os empresários precisam cobrar seus contadores.

“Apesar do IFRS não ser um mecanismo de fiscalização, a padronização do reporte financeiro pode ajudar o Fisco a encontrar empresas que estejam em situação irregular”, explica Jerônimo. As empresas que não seguirem a norma podem enfrentar problemas em licitações, processos judiciais em que há perícias, auditorias independentes, combinações de negócios (fusões, aquisições e incorporações de empresas).

 

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