MP e receitas Federal e Estadual fazem operação contra sonegação

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e as receitas Federal e Estadual fizeram uma operação, nesta terça-feira (4), em Uberaba, na Região do Triângulo, em Minas Gerais, para desarticular um suposto esquema de sonegação de impostos envolvendo um grupo de empresas que produz e exporta cosméticos. As investigações duraram dois meses e os prejuízos aos cofres públicos podem ultrapassar R$ 140 milhões.

Foi preciso apoio de uma ambulância da Polícia Militar. Mais de 100 policiais fizeram escolta dos 55 fiscais das receitas Estadual e Federal. Em Uberaba, principal foco da ação, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão.

Documentos e eletrônicos de oito empresas foram levados. A fiscalização aconteceu também em outros locais, como a residência do empresário investigado Oscar Lacerda, conhecido como Kakai. O material vai embasar investigações mais aprofundadas sobre um esquema de sonegação de impostos que, segundo o MPMG, ultrapassa os R$ 140 milhões.

A investigação começou em 2005, com a falência da "Layff Kosmetic Ltda.", famosa pela marca Skala. A empresa acumula cerca de R$ 20 milhões em dívida ativa, montante decorrente principalmente de autos de infração do fisco estadual.

Depois do fechamento da companhia outras foram abertas por ex-sócios da Layff, que levaram junto o rótulo já conceituado no mercado. Tudo isso indicava a perpetuação dos crimes financeiros.
Outro indício é o local de instalação das empresas. Algumas funcionam no mesmo prédio e outras muito próximas. Em um quarteirão, por exemplo, estão quatro delas. Fato que chamou a atenção e deu nome à operação: “Quadrado das Bermudas”.

Uma das empresas tem sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A sonegação era feita de várias maneiras: vendas sem nota e subfaturamento, inclusive há registro de simulação de exportação, em que mercadorias nem chegavam a sair do país.Todo o material recolhido foi lacrado e será auditado em Belo Horizonte.

Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em Aramina (SP) e em Itumbiara (GO). Segundo o MPMG, por enquanto, ninguém foi preso e as empresas continuam funcionando. A reportagem tentou falar com o empresário Oscar Lacerda, que está sendo investigado, mas ele não foi encontrado em casa, nem no escritório e também não atendeu ao telefone.
 

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