Como preparar uma empresa para ser vendida


Por Vincent Baron

O número de fusões e aquisições no Brasil vem crescendo nos últimos anos. Em 2010, o país bateu o recorde com 707 transações realizadas e, este ano, a trajetória ascendente continua. Para se ter uma ideia, de janeiro a junho de 2011, foram realizadas 379 transações, número recorde para um primeiro semestre e também 8% superior ao verificado no mesmo período do ano passado, segundo dados da empresa KPMG.

No entanto, com o mercado de grandes empresas cada vez mais consolidado, a tendência é ter mais fusões e aquisições em empresas de médio porte. Assim, aqueles que pretendem conseguir investimentos ou estão em processo de fusão, buscando joint-venture, mudanças societárias ou até mesmo procurando venda total ou parcial, estão definitivamente diante da necessidade de rever o andamento do seu negócio. 

Antes da fusão ou aquisição, vale investir em uma reestruturação para conseguir o maior valor possível ao assinar a venda. Há empresas especializadas nesse serviço que podem ser chamadas para fazer uma espécie de “arrumação da casa”. Ou seja, profissionais qualificados que irão preparar a empresa para ser adquirida após um periodo de gestão profissional.

No caso de empresas familiares — que compreende a maioria das pequenas e médias empresas no Brasil — a reestruturação costuma ter como maior obstáculo o dono e a família que têm dificuldade de se desligar do dia a dia da empresa. Mas a valorização devido à profissionalização do negócio chega a ser tão relevante, que o próprio dono às vezes acaba entendendo que é melhor ter participação minoritária valorizada do que continuar “dono pobre”.

Antes de assinar a venda é preciso solucionar alguns problemas. Muitas empresas nacionais de médio porte apresentam um grau elevado de informalidade incluindo problemas trabalhistas e fiscais. Investidores internacionais e fundos de investimento pedem, para primeira análise, uma série de relatórios que muitas dessas empresas não possuem. Isso faz com que promissores compradores desistam do negócio.

Por isso, acabam aparecendo alguns problemas nos processos de fusão e aquisição. Muitos negócios estão estagnados ou não avançam pela própria falta de qualidade e preparação das empresas. Com poucos dados concretos da situação da companhia e, consequentemente, da segurança necessária para efetivação do negócio, a ponta compradora acaba desistindo da transação.

O resultado é um painel de recuo na compra. Os investidores, institucionais ou estratégicos, ficam impossibilitados de adquirir um ativo por conta de características e processos inadequados, mesmo sendo um ativo bastante atrativo e com bom potencial de crescimento.

A existência de passivos tributários, trabalhistas e até ambientais traz grandes dificuldades em se concretizar uma negociação. O valor destes passivos acaba superando, às vezes, o valor do ativo, inviabilizando assim a operação.

A avaliação desses passivos potenciais é parte integral desse trabalho de preparação, como a preparação de um documento detalhado para negociar com bons compradores. Esse relatório inclui informações da empresa como o setor em que atua, principais clientes e fornecedores, estrutura de recursos humanos, descrição dos equipamentos e instalações, descrição dos produtos, preços e margens e apresentação das demonstrações financeiras.

Fonte: Note! Acessoria de Comunicação


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