Empresas familiares evoluem e adotam conselho de gestão

Ernani Fagundes

Entre as novas práticas de governança corporativa, os grupos empresariais dirigidos por famílias passam a adotar conselho de administração no dia a dia de seus negócios. A tendência foi apontada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Gilberto Mifano, depois de palestra sobre sucessão familiar realizada ontem, em São Paulo.

"A montagem de conselhos nas empresas familiares é uma tendência. A participação de conselheiros independentes é essencial por trazer novos conhecimentos aos negócios", declarou ao DCI Gilberto Mifano.

O presidente do IBGC destaca que o tratamento das pessoas é o recurso mais importante a ser observado. "Nesse momento de pleno emprego, não é apenas uma questão de valorização financeira, as empresas precisam estar atentas ao respeito dedicado aos seus funcionários", aconselhou Mifano.

Durante o evento houve a apresentação do caso de sucesso do Grupo Vonpar, que atua nos Estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina como distribuidora de produtos da Coca-Cola desde 1948.

"Dividir a gestão em Santa Catarina com a Coca-Cola entre 1993 e 2005 foi um marco na história da empresa", conta Ricardo Vontobel.

Ele explicou que nesse período a Coca-Cola possuía 39% de participação na operação catarinense e indicava o diretor financeiro no Conselho de Administração da companhia. "Dividimos a gestão sem nenhum aranhão. Aprendemos muito, e hoje temos a 1° e a 2° fábricas da Coca-Cola mais rentáveis do Brasil", orgulha-se o presidente do grupo gaúcho.

Vontobel diz que nos últimos três anos sua família adota um Conselho de Administração que se reúne dez vezes por ano, e que possui além da diretoria profissionalizada, dois conselheiros independentes. "O conselho deve servir para agregar o que não temos", enfatiza.

Passado esse período de experiência, Vontobel retomou algumas atividades de liderança e de relacionamento com funcionários e clientes. "O operacional continua na mão da diretoria profissionalizada, mas empreendemos a meta de resultados de longo prazo", explica.

"Quando me afastei no início, a diretoria profissional buscou resultados no curto prazo, mas o modelo científico é muito duro, perdi bons funcionários com muito tempo de casa", lamentou o executivo.

Ele, no entanto, reafirmou a prática de profissionalização da companhia. "Tem que trabalhar o mais competente. A empresa não pode ser um cabide de emprego. Aprendi com o meu pai, que vivemos para a empresa, e não da empresa. Não há vaidade", citou Vontobel sobre a preservação dos valores e das raízes dos fundadores do Grupo Vonpar.
 

Fonte: DCI – SP

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