Escândalo envolvendo magnata texano chega à BDO

Adam Jones | Financial Times, de Londres

A firma de contabilidade BDO está sendo processada em até US$ 7,2 bilhões por causa de auditorias e outros trabalhos que ela teria realizado para partes do império empresarial do texano Robert Allen Stanford.

Num processo protocolado em um tribunal distrital do Estado do Texas, dois investidores acusam a BDO de participar de um esquema Ponzi armado pelo magnata amante do críquete, por meio de seu trabalho de auditoria e consultoria.

Stanford foi acusado em 2009 de orquestrar uma fraude multibilionária, que ele nega. Seu julgamento foi adiado em janeiro, para que ele pudesse se livrar de um coquetel de drogas contra a ansiedade que estava tomando.

O processo, que pretende ter a condição de ação coletiva, mira o braço americano da BDO, além da entidade "guarda-chuva" que representa, em âmbito internacional, as várias firmas nacionais que fazem parte da rede.

O braço americano da BDO respondeu afirmando que jamais foi auditora do Stanford International Bank, a instituição registrada em Antígua e Barbados que está no centro das alegações de fraude.

A firma também diz que as alegações presentes no processo foram minadas pelo fato de não terem sido feitas antes. A combinação desses dois fatores refletem "uma compreensão transparente de que essas alegações carecem de mérito", diz a firma.

O braço americano da BDO não comentou na sexta-feira uma alegação de que três de seus sócios comprometeram sua independência de auditoria ao participar de uma força-tarefa patrocinada por Stanford em Antígua e Barbados, que ajudou a reorganizar as regulamentações bancárias desse país do Caribe.

Ninguém foi encontrado na Comissão Reguladora dos Serviços Financeiros de Antígua e Barbados na sexta-feira para comentar o assunto.

A notícia do processo ligado a Stanford arrematou uma semana difícil para a BDO.

Na terça-feira, Denis Field, ex-presidente do braço americano da firma, esteve entre as quatro pessoas que foram condenadas por uma variedade de crimes relacionados à promoção de paraísos fiscais ilegais para investidores ricos. Sua sentença sai em outubro.

A unidade americana da BDO disse que "Field, que deixou a BDO em fevereiro de 2004, foi um de vários ex-sócios de um grupo que vendia produtos de planejamento fiscal. Esse grupo foi dissolvido pela firma há oito anos. A BDO vem cooperando totalmente com a investigação do governo sobre os planejamentos fiscais".

Entre os condenados na semana passada está Paul Daugerdas, ex-diretor do escritório da firma de advocacia de Chicago Jenkens & Gilchrist.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou que o esquema gerou perdas fiscais falsas de mais de US$ 7 bilhões.

Stanford foi dono de um time de críquete, um jornal, restaurantes e imóveis e foi condecorado pela monarquia britânica em 2006. O título de cavaleiro foi revogado depois que ele foi indiciado..

  Fonte: Valor Econômico

 

 

 


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *