Mantega descarta novas medidas para moderar o consumo

Para o ministro da Fazenda, as ações do governo estariam dando resultado: o crédito e a demanda perdem ritmo e o pico da inflação ficou para trás

O ministro da fazenda, Guido Mantega, descartou nesta sexta-feira a necessidade de novas medidas para conter o avanço da demanda e das concessões de empréstimos. "Não precisaremos de mais medidas porque já tomamos várias desde o final do ano passado para moderar o crescimento do consumo e do crédito", disse. Na avaliação dele, as medidas adotadas já estariam surtindo efeito.

Mantega declarou ainda que o governo continuará a observar o comportamento da economia e que o pior momento da inflação ficou para trás. Segundo ele, a trajetória, daqui em diante, é descendente, pois os principais vilões da alta dos preços, como as cotações das commodities , já estão caindo. "Daqui para a frente, teremos uma redução gradativa da inflação", disse, após participar de reunião com empresários do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), em São Paulo.

O ministro previu que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que é o indicador oficial de inflação do governo – deve fechar o ano em até 6%, valor que continua abaixo da previsão do mercado, segundo a pesquisa Focus do Banco Central, que ronda a casa dos 6,3%. Ele relembrou que o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado no final de março pelo BC, trabalha com uma expectativa para o IPCA de 5,6%, mas ressaltou que relatórios do governo mais atuais já têm uma previsão um pouco superior.

A diferença, entretanto, parece não ser tão grande assim, pois estatística divulgada nesta sexta-feira pelo Ministério do Planejamento dá conta de um IPCA de 'apenas' 5,7% em 2011. Questionado sobre isso, Mantega disse que quem dá os parâmetros para o Planejamento é a Fazenda. Então, segundo ele, as projeções do Planejamento são oficiais. De acordo com o ministro, o que mudou em relação à projeção anterior do BC (de março) é que o relatório divulgado pelo Planejamento é bimestral.

"A Focus, que é o que mais interessa, trabalha com 6,31%. Então, podemos afirmar que não fugiremos dos limites (do teto) da meta de inflação", afirmou. Mais uma vez, o ministro demonstra que o governo mira o teto e não o centro da meta (4,5%) na política de combate à inflação – o que, segundo economistas, diminuia sua eficácia.

Real valorizado –  O ministro da Fazenda comentou ainda que a trajetória futura do real dependerá dos fluxos de capitais e da política econômica dos países avançados. “Enquanto não houver uma mudança na política monetária dos EUA e da Europa, que ainda estão emitindo muito dinheiro, teremos pressão sobre o real”, afirmou. Ele explicou que a política adotada por estes países acaba por trazer recursos para os emergentes, e tendem a fazer com que o valor da moeda suba.

No início deste ano, o governo brasileiro impôs taxas adicionais sobre a tomada de empréstimos externos de curto prazo por conta da grande quantidade de dinheiro que estava sendo captada no mercado internacional e transformada em crédito ao consumidor no Brasil. Diante disso, nos primeiros três meses do ano e após uma forte reversão em abril, as entradas da moeda norte-americana estariam retornando a níveis mais normais. "Não queremos interromper a entrada de capital. Mas também não queremos uma torrente (de dólares)", acrescentou o ministro.

Mantega afirmou que o governo continua a monitorar as tomadas de empréstimos no exterior e adotará medidas adicionais se houver qualquer "exagero" nos fluxos de capital. Declarou ainda que o Planalto está conseguindo cumprir com suas metas para este ano e o país está registrando um superávit comercial acima das expectativas.

Mudanças nos impostos – O ministro da Fazenda revelou que pretende ter prontas, em dois ou três meses, duas alterações no código tributário, que, segundo ele, reduzirão a carga de impostos sobre as empresas e ajudarão a aumentar sua competitividade. As medidas poderão ser aprovadas ainda neste ano, de modo a entrar em vigor em 2012. O governo quer trambém simplificar o imposto de valor agregado cobrado dos Estados, conhecido como ICMS, e eliminar 20% dos impostos federais que incidem sobre a folha de pagamento."Isso reduzirá o custo trabalhista do trabalho sem afetar os trabalhadores", afirmou Mantega.

(com Agência Estado)

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *