Lamento, mas sua contabilidade não está transparente

Por Elenito Elias da Costa

Ao iniciar 2011, estamos vivenciando situações esdrúxulas e altamente necessitada de uma grande reflexão em que todos esses acontecimentos são derivados de diversas variáveis, mas o que estamos propondo é a reflexão sobre a CONTABILIDADE e suas DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E FINANCEIRAS das empresas de diversos portes, tamanhos e de atividades operacionais distintas.

Com a adoção dos princípios internacionais de contabilidade agregado a diversas modificações e alterações do aparelho fiscalizatorio, que visa minorar a sonegação fiscal, inclusive dos encargos sociais, essa situação expôs a GESTÃO EMPRESARIAL de diversas empresas que antes pensávamos que tinham controle interno e desfrutavam de uma transparência impar, tudo isso motivado pela variabilidade da qualificação e capacitação dos gestores e profissionais envolvidos.

O que estamos vivenciando é que as demonstrações contábeis e financeiras dos grandes grupos que detém as grandes empresas, devidamente auditadas por empresas conceituadas, assessoradas por profissionais de contabilidade, não apresentam uma situação considerada regular ou normal, já que essa adoção internacional ocasiona dúvidas que tem severos reflexos nos citados demonstrativos.

A cultural dominante era que a CONTABILIDADE e seus demonstrativos contábeis e financeiros tinham finalidades distintas e especifica, ou seja, somente fiscal ou trabalhistas, no máximo para renovação cadastral junto a instituições e fornecedores em que tinham transações comerciais, financeiras ou bancárias.

As Demonstrações Contábeis e Financeiras não estavam preparadas para acolher situações especifica decorrente de uma adoção aos princípios internacionais de contabilidade, seja gestor, seja contador, seja auditor ou de atividades similares. O mais triste de tudo isso, é, que sabíamos de tal fato já que nossos profissionais padecem de uma educação sem a qualidade desejável, como então adentrar numa Economia globalizada, sujeita a intempéries decorrentes da crise financeira americana, da crise do euro, da crise das pirâmides financeiras, da crise dos cartões de créditos e de outras tantas que hão de vir.

Fico altamente preocupado com aqueles GESTORES EMPRESARIAIS de Micros e de Empresas de Pequeno Porte, que contratam profissionais ou mesmo Escritórios de Contabilidade, que não estão preparados para entender e aplicar as significativas alterações, decorrentes dos princípios internacionais. É flagrante a existência de profissionais que não estão preparados para esse labor, cuja responsabilidade profissional tem exigência múltipla e geometricamente crescente onde se embasa uma educação de qualidade globalizada.

E por desconhecer suas responsabilidades profissionais, poderão ser objetos de processos indenizatórios que podem ser argüidos por seus próprios clientes com o fim de reparar danos oriundos de sua comprometida educação de qualidade. E não venham com aquela justificativa que o problema é do cliente, pois a responsabilidade profissional é do contador ou escritório contratado.

Diante dessa assertiva não há dúvidas quando a seriedade que está se tornando aquela singela contabilidade contratada, seja setor fiscal, pessoal ou uma tentativa de contabilidade, que resultado em demonstrações contábeis e financeiras, lúdica e fantasiosa.

Se, pensarmos sobre a existência de ERROS e FRAUDES contidos nos demonstrativos contábeis e financeiros das grandes e médias empresas, isso nos reporta a pensar sobre citados demonstrativos das médias, pequenas e micros empresas, já que em sua totalidade os profissionais envolvidos carecem de conhecimentos técnicos específicos e de uma educação de qualidade mínima para tal atividade, o que tomamos a liberdade de enumerar no presente artigo os vícios e erros derivados dessa situação, que podem apresentar de simples dolo a situações mais agravantes.

a)Má interpretação da aplicação dos princípios de contabilidade internacional;
b)Má interpretação do CPC;
c)Vícios e má cultura existente;
d)Dificuldade na Comparabilidade dos Exercícios;
e)Estoque fictício;
f)Compras e Vendas desprovidas de documentação proba e lícita;
g)Nova formatação dos demonstrativos contábeis e financeiros;
h)Ausência de um Diagnóstico Empresarial;
i)Ausência de PES – Planejamento Estratégico Sustentável;
j)Visão turva da Viabilidade Econômica.
k)Desconhecimento na aplicação da análise financeira dos demonstrativos como, Ebtida, EVA, FIK, Pay Back e demais.
l)Não mensuração da Conta Bancária;
m)Passivo Fictício;
n)Não sincronia racional dos Setores (Fiscal, Patrimônio, Cobrança, Financeiro, Pessoal e Contabilidade);
o)Ausência de avaliações dos relatórios da contabilidade;
p)Desconhecimento do que seja, Ativo Biológico, Intangível, Fair Value, Hedge, Empairment e demais.
q)E muito mais aberrações.

O mais grave de tudo isso é que o aparelho tributário/fiscalizatorio, está se preparando para identificar essas evasões e punir de conformidade com os ditames legais, desde a adoção do SPED – Serviço Público de Escrituração Digital, seja Fiscal, Contábil, Folha, PIS/COFINS, Ponto Eletrônico, FCONT, SINCO, Nota Fiscal Eletrônico, e demais instrumentos, é inegável a situação de exposição das empresas.

Doravante empresas e profissionais, estarão submetidas a avaliações periódicas que se não estiverem preparadas para atender as exigências do mercado globalizado, poderão vislumbrar um futuro totalmente diferente do planejado e amargará situações deploráveis.

É bem verdade que apesar de escrever artigos mensalmente desde 2007, me declino ao entendimento daquele profissional que tenha uma educação de qualidade e esteja capacitado para a assimilação eclética de suas variáveis, que lamentavelmente representam a minoria.

Mas o faço, para que aquele que não tenha tido a oportunidade saiba que sua inépcia, poderá representar a lápide de sua profissão, e que ainda há tempo para recuperar, mas depende de sua ação. É aconselhável que procure melhorar sua educação e cultura, pois temo que a má interpretação na leitura dos meus artigos, possam lhe aguçar desejo de retornar a caverna.

“A falsidade tem uma infinidade de combinações, mas a verdade só tem um modo de ser”.(Jean Jacques Rousseau).

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