Esquema de sonegação teria movimentado até R$ 50 milhões

FORTALEZA – O suposto esquema de sonegação fiscal, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN) e corrupção de agentes públicos, investigado pela Operação Podium da Polícia Federal (PF) e Secretaria da Receita Federal (SRF), teria movimentado recursos da ordem de R$ 50 milhões. A operação, deflagrada hoje, resultou na prisão de nove pessoas e na apreensão de computadores e documentos. A ação apura a sonegação fiscal, crimes contra o SNF e corrupção de agentes ligados a dirigentes da Federação Cearense de Automobilismo (FCA), em parceria com sete grupos empresariais do Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro.

O superintendente da PF no Ceará, Aldair da Rocha, não revelou os nomes dos acusados de movimentar ilegalmente os R$ 50 milhões, sendo R$ 15 milhões enviados para o exterior. Mas o advogado de um dos presos, Hélio Leitão, informou que já pediu soltura de seu cliente, o atual presidente da FCA, Haroldo Scipião Borges. "Ele não tem culpa de nada. É tudo legal e é uma prática comum entre as federações, inclusive na Confederação Brasileira de Automobilismo", afirmou o advogado.

Cinco das empresas envolvidas são cearenses, sendo uma do ramo da construção civil e outra de revenda de carros importados; uma é paulista, do ramo industrial; e uma é carioca, do ramo da construção civil. As nove pessoas presas temporariamente por cinco dias são sete do Ceará, uma do Rio de Janeiro e uma de São Paulo.

A Operação Podium é o resultado de dois anos de investigações da PF e SRF no Ceará. Essas investigações constataram que a Federação Cearense de Automobilismo teria sido utilizada como depositária dos recursos, provenientes do caixa das empresas, de 2005 a 2008, "sob o falso pretexto de patrocínio ao ex-presidente da entidade recreativa, a qual era utilizada apenas como trampolim dos recursos, eis que os valores retornavam em benefício das empresas, para pagamento de propinas a agentes públicos ou evasão de divisas", afirmou o superintendente da Secretaria Regional da Receita Federal para o Ceará, Piauí e Maranhão, Moacyr Mondardo Júnior.

Dos R$ 50 milhões movimentados apenas de 1 a 3% ficava na FCA, disse Mondardo Júnior. O restante voltava para as empresas patrocinadoras. "O que nos chamou atenção foi que, dos 50 milhões, 14, 15 milhões foram para o exterior. E que a Federação Paulista de Automobilismo no mesmo período, por exemplo, movimentou R$ 10 milhões e a Federação Cearense, R$ 50 milhões", disse Mondardo Júnior.

Os investigados responderão pelos crimes de formação de quadrilha ou bando, contra a ordem tributária, contra o sistema financeiro, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A investigação continua, pois há suspeita que o esquema continuou nos anos de 2009 e 2010, com uma empresa de Araraquara (SP). O processo está na 11.ª Vara Federal do Ceará e o juiz Ricardo Ribeiro autorizou a quebra dos sigilos telefônicos e bancários dos envolvidos.

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