Força-Tarefa combate fraude em operações com álcool em São Paulo e Rio Grande do Sul

Cerca de 120 agentes participam da "Operação Anhanguera" deflagrada contra a organização criminosa no interior do Estado

Uma força-tarefa composta por agentes de São Paulo e do Rio Grande do Sul realiza nesta terça-feira (17/8) a "Operação Anhanguera" com a finalidade de desarticular uma quadrilha especializada em montar esquemas de sonegação fiscal em operações de compra e venda de álcool nos dois estados. A ação está sendo conduzida pela Delegacia da Polícia Federal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, pela Procuradoria Regional do Estado, todos de Campinas, bem como pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Em São Paulo serão executados 10 mandados de prisão nos municípios de Campinas, Piracicaba, Tietê e Charqueada. A operação envolve também a execução de 7 mandados de busca e apreensão judicial no Estado, nas cidades de Embu, Tietê, Campinas, Piracicaba e Charqueada e de 2 mandados de apreensão administrativa no município de Ibaté. No Rio Grande do Sul, onde se localizam os principais clientes do esquema, serão executados 18 mandados de busca e apreensão judicial, sendo 15 em estabelecimentos e 3 em residências.
 
Participam da operação cerca de 120 agentes públicos, entre policiais, promotores, procuradores e fiscais. Será efetuada apreensão judicial de caminhões e automóveis pertencentes a pessoas físicas e jurídicas implicadas no esquema para assegurar a recuperação, ainda que parcial, dos prejuízos causados ao patrimônio público.

O principal artifício empregado pelos fraudadores consistia na utilização de empresas-ponte ou intermediárias formadas por sócios interpostos ou "laranjas" (num dos casos até pessoa já falecida), com a dupla finalidade: 1) ocultar a identidade da usina fornecedora do álcool hidratado, descrito nos documentos fiscais como "destilado alcoólico", em operações aparentemente não oneradas pelo imposto (ICMS diferido); 2) transferir créditos espúrios do imposto às empresas clientes.

Nestas operações, as empresas-ponte, também conhecidas como "Cavalos de Tróia" tributários, recebiam álcool hidratado em graduação superior a 90º, próprio para utilização como combustível, mas os documentos fiscais, fraudulentamente, classificavam o produto como insumo destinado à fabricação de bebidas (posição 2208 da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH). Este artifício permitia à usina fornecedora não pagar o ICMS relativo à operação.

As empresas intermediárias simulavam a venda do álcool, em operações tributadas, para diversos clientes, a maioria do Rio Grande do Sul, transferindo a elas créditos do imposto. As operações eram invariavelmente declaradas ao Fisco mas não pagas, fazendo com que milhões de reais em tributos fossem inscritos na Dívida Ativa do Estado, sem qualquer perspectiva de recolhimento.

Havia uma operação real, entre a usina e a empresa-cliente, mascarada pela empresa-ponte e duas – e às vezes três – operações simuladas, em razão da interveniência desta última no processo, atuando apenas como simples emitente de documentos fiscais. Cerca de 5 caminhões-tanque eram diariamente carregados na usina fornecedora.

As pessoas contra as quais foi emitida ordem judicial de prisão são as que, sob a ótica da investigação realizada pela força-tarefa durante 1 ano, integram a quadrilha que controlava o esquema de compra e venda de álcool por meio de empresas-ponte, e que também utilizavam empresas comerciais, entre elas um pequeno supermercado, em favor das quais as empresas-clientes efetuavam os pagamentos pelo álcool recebido. Todas essas pessoas serão acusadas de formação de quadrilha.

Apenas nas empresas-ponte foram lavrados até o presente Autos de Infração exigindo o ICMS, em valores atualizados, de R$ 122.203.130,06 (junho/2010). Somando-se a este valor a multa aplicada, o montante devido é da ordem de R$ 220 milhões. Mas a este valor deverão ser acrescidas as exigências fiscais que serão impostas à usina fornecedora, por haver simulado venda de produto tributado como não-tributado, bem como às empresas-clientes, o que elevará o crédito tributário total para cerca de R$ 280 milhões.

Com base na investigação realizada pela força-tarefa, bem como dos resultados a ser obtidos a partir desta terça-feira, a Procuradoria Regional de Campinas se empenhará em redirecionar os valores inscritos na Dívida Ativa do Estado para os verdadeiros controladores do esquema de evasão fiscal, a fim de que respondam, com seu patrimônio pessoal, pelos prejuízos acarretados ao patrimônio público.

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