Maioria das empresas não estão prontas para o padrão IFRS

A maior parte das empresas brasileiras ainda não está preparada para fazer seus demonstrativos contábeis pelos padrões internacionais do IFRS (International Financial Reporting Standards), como é obrigatório a partir deste ano. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Antonio Duarte Carvalho de Castro, e dos sócios da Ernst & Young, Mauro Moreira e Fernando Magalhães.

“Aquelas empresas que já fizeram operações internacionais, as que possuem ADRs e as empresas de capital aberto que são subsidiárias de multinacionais estão preparadas, mas a grande maioria das empresas não está”, disse Castro. “De cerca de 440 empresas listadas na Bovespa, as preparadas são talvez menos de 100, o que dá entre 20% e 25%. Então, as demais vão ter um desafio.” Castro comentou que a mudança na Europa foi muito difícil, mas “quando feita há cinco anos, a distância do padrão anterior para o IFRS era muito menor que a existente no Brasil agora”.

Moreira, por sua vez, observou que as modificações contábeis na Europa provocaram grande impacto nos resultados das empresas. “O mesmo pode acontecer no Brasil” diz.

No primeiro ano de adoção do IFRS na Europa, houve grandes alterações no patrimônio líquido (PL) das companhias – como um aumento de 49% no da Endesa e uma redução de 52% no da British Airways, de acordo com Moreira. Mas também houve empresas que não sofreram nenhuma mudança no PL, como a British Petroleum (BP). A companhia aérea britânica, por outro lado, teve um aumento de 47% no seu lucro, enquanto a Endesa teve uma redução de 9% no resultado, segundo tabela da Ernst & Young.

Mas houve também quem tivesse mudanças na mesma direção com a alteração de padrão contábil na Europa, de acordo com a tabela. A tele Vodafone aumentou seu PL em 15% e seu resultado em 194%.

Mesmo dentro de um mesmo setor, os impactos no primeiro ano de mudança na Europa foram diferenciados. A espanhola Telefónica teve redução de 24% no PL e aumento de 10% no resultado. Moreira, que é sócio de auditoria e chefe do escritório do Rio da Ernst & Young, lembra que é uma obrigação das empresas brasileiras apresentarem seus balanços de 2010 comparados com os de 2009 pelo padrão IFRS. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dispensou as empresas de apresentarem suas demonstrações trimestrais pelo IFRS já ao longo do ano, mas exigindo que, se optarem por isso, o façam retroativamente, no máximo até apresentarem o balanço do ano de 2010.

DCI

Agência Estado

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