Contabilidade: A profissão do futuro

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Domingos Xavier Teixeira (*)

Com pouca procura, há algum tempo sobravam vagas nas faculdades de contabilidade. Hoje, a realidade é outra. Os profissionais da contabilidade vêm se tornando peças-chave no mercado competitivo e a profissão de contabilista torna-se uma das mais promissoras e atraentes.

O Brasil, desde o início do ano passado, passou a ter duas contabilidades: uma estritamente fiscal, para apurar os tributos devidos ao Fisco, e outra, de natureza econômica, para apurar lucros e dividendos devidos aos investidores. Tais mudanças, introduzidas com a Lei 11.638 de 2007, pegou todos os contadores e empresários de surpresa com novas normas de contabilidade e de natureza tributária. Meses depois, o fisco passou a regular as normas fiscais através da Medida Provisória 449, para adaptação a este novo cenário.

Desde então, as normas de contabilidade passaram a ser normatizadas por uma entidade, criada pela Lei 11.638, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, conhecido pela sigla de CPC, formado representantes das empresas, do mercado de capitais, da classe de contadores e dos acadêmicos. Este Comitê tem a tarefa de introduzir no Brasil as normas internacionais de contabilidade, emitidas pelo FASB – Financial Accounting Standard Board, e já adotadas por mais de 100 países.

A Contabilidade hoje tem um vocabulário sofisticado. A profissão emprestou termos “exóticos”, somente conhecidos de uma minoria, como, por exemplo, o teste do impairment constante do Pronunciamento no.1 do CPC. Esta palavra inglesa significa para os entendidos como teste de recuperabilidade dos ativos de uma empresa. Isto quer dizer que toda empresa agora deverá verificar se a mesma produzirá lucros futuros suficientes em um período de tempo razoável para recuperar, através da depreciação, os valores investidos em seus ativos imobilizados. Até então, as empresas adotavam períodos padrão de tempo, estabelecidos pelo fisco através de taxas de depreciação, não importasse o tipo de empresa e em que condições operasse. Ao final, algumas empresas apuravam lucros maiores, outras menores, não importava o seu ramo, tendo em vista que todas adotavam a mesma taxa de depreciação. Portanto, agora, os lucros serão apurados de acordo com a vida útil e econômica dos bens, e não simplesmente por regras que muitas vezes nada tinham a ver com a realidade da empresa.

O alto custo dos tributos passou a exigir profissionais qualificados que devem ter domínio estrito sobre a contabilidade e matéria tributária. A entrada do Brasil no seleto clube dos países que congregam as normas internacionais de contabilidade, conhecida como IFRS, também propulsiona o aumento da demanda por contabilista. Os profissionais bilíngües estão com o passe a preço de ouro.

São tempos novos, fruto de uma globalização que não tem mais volta. E quem viver, verá em breve uma empresa publicando o seu balanço com números que representam de fato a essência do seu negócio e que expressa a realidade, permitindo aos investidores tomar decisões seguras sobre a aplicação dos seus recursos. Ganham as empresas, ganha o investidor, ganha o aposentado que tem a sua remuneração paga a partir dos dividendos recebidos pelos fundos de pensão. Ganhamos todos com o gigantesco passo que a contabilidade no Brasil acaba de dar.


(*) D. X. Teixeira é professor da PUC-MG, auditor e presidente do Instituto

Brasileiro de Direito e Contabilidade.

É sócio da TEIXEIRA & ASSOCIADOS Auditores e Consultores

teixeira.dx@institutodedireitocontabil.com.br

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